Acervo digitalizado pela Universidade da California com algumas obras sobre a América Latina
http://publishing.cdlib.org/ucpressebooks/search?subject-ucp=Latin%20American%20Studies;subject-ucp-join=exact;rights=Public;sort=title;style=eschol;brand=eschol
Acervo digitalizado pela Universidade de Harvard de obras publicadas nos séculos XIX e XX na América
http://vc.lib.harvard.edu/vc/deliver/home?_collection=LAP
Acervo digitalizado da Universidade de Cornell sobre a esquerda na América Latina
http://izquierda.library.cornell.edu/
Diários de viagem a distintos lugares da América dos séculos XVI ao XIX da Universidade Brown
http://library.brown.edu/cds/travelogues/
sábado, 22 de outubro de 2011
PERU: IMAGENS DAS FAMÍLIAS DE BAIXA RENDA
Quando
estive em 1992 no Peru pela primeira vez, pude presenciar o Golpe de Estado
decretado a 5 de abril desse ano, pelo então Presidente Alberto
Fujimori.
Nessa
época, não me inteirei de fatos suficientes que esclarecessem todas as dúvidas
que me assolavam. Como mera espectadora, me ative a perceber quais as condições
em que vivia a população daquele país e como estava a situação econômica.
O
Peru atravessava uma grave crise econômica com inflação alarmante e sofria com
os ataques acirrados do Sendero Luminoso (SL) e do Movimento
Revolucionario Tupac Amaru (MRTA), que há muito propagavam o terror por
todo o país.
Tudo
isso, aliado à falta de água, cortes de luz, falta de emprego, remuneração
baixa, racismo contra a população de origem indígena, falta de moradia e
transporte precário, formava um quadro nada promissor.
Dois
anos depois do Golpe, regressei ao Peru e constatei que pouca coisa havia se modificado, mas, desta vez, comecei
a entender o porquê de tanta injustiça social, que é a característica atual
mais marcante.
Retrocedendo
um pouco no tempo, chegamos à época de Alan García (1985-90), presidente que,
segundo a opinião geral, foi o responsável pelo aumento desregrado da inflação,
pela redução da produção e pelo aumento do subemprego, deixando o país em total
descalabro econômico.
Foi
nesse período (década de 80) que eclodiu o movimento senderista, seguidor da
linha maoísta, e o MRTA, ferrenhos castristas (Fidel Castro). Estes se
infiltraram junto às camadas da juventude popular, pregando a hostilidade ao
Estado[1].
Nessa
época, começaram os grandes movimentos migratórios, quase todos em direção aos
grandes centros. Isso era normal, mesmo antes do terrorismo, porém, a partir da
década de 80, aumentaram substancialmente, pois a população (principalmente os
camponeses nos Andes, região mais afetada) se encontrava entre os ataques dos
terroristas e as ações do exército. Começou assim o deslocamento, em massa, de
pessoas em busca de refúgio e novas condições de vida[2].
A
partir dos anos 80, conforme afirma Olarte, a vida social, política e econômica
ficou marcada pela violência, pois as ações subversivas e terroristas do SL e
depois do MRTA, além do narcotráfico, dificultaram o ajuste e a estabilização
econômica, tornando difícil o desenvolvimento peruano[3].
Nas
eleições de 1990, dois candidatos se destacavam, de um lado, Vargas Llosa com
propostas tecnocratas e do outro, Fujimori que tinha por lema a “honestidade,
trabalho e tecnologia”[4].
Fujimori
venceu, mas não tardou a contrariar o prometido em campanha, passando a assumir
um comportamento tecnocrático e autoritário.
Quando
em 5 de abril de 1992, ele dissolveu o Congresso, reestruturou o Poder Judicial
e conformou um “Governo de Emergência e Reconstrução Nacional”, com o respaldo
das Forças Armadas, estava começando um período de grandes mudanças e de
“autoritarismo”.
A
prisão do líder senderista, Abimael Gusmán e de outros dirigentes do SL e do
MRTA, elevou a imagem política de Fujimori, que agora contava com o apoio de
parte da população. Muitos passaram a crer que o regime autoritário pudesse
levar ao desenvolvimento do país, pois se basearam no exemplo de Pinochet[5].
A
realidade é que o país prossegue com grandes conflitos sociais, onde o
estancamento econômico influiu no mercado de trabalho, fazendo aumentar o
desemprego e o subemprego e a democracia está longe de ser alcançada.
Esta
situação crítica é ainda pior, quando me detenho numa análise da realidade da
população peruana de baixa renda que hoje luta para sobreviver.
Tratarei especificamente da situação de Lima, capital do país, que concentra mais de 8 milhões de habitantes e muitos problemas.
Lima
é uma grande cidade e, igual a tantas outras, tem bairros de classe alta, com
famílias que vivem sem dificuldades financeiras e bairros de classe
média, nos quais, conseqüentemente, os problemas já são maiores. Mas, a
situação começa a ficar realmente preocupante nos locais onde se concentram as
classes de baixa renda.
A
cidade de Lima foi crescendo, inchada também com o grande número de imigrantes
que vieram de outras partes do país, fugindo do terrorismo e buscando melhores
condições de vida. Porém, encontraram uma realidade difícil, tendo que
submeter-se ao subemprego e conseqüentemente a habitar moradias em más
condições.
As
famílias de baixa renda que conseguem ficar no centro de Lima aglomeram-se em
grandes casas antigas, onde antes só habitava uma família e que hoje estão
quase em ruínas, oferecendo um sério risco de vida a seus moradores. Nos pátios
internos de tais casas, ainda são improvisadas “casitas” de madeira ou palha
(pouco chove em Lima).
Os
que tiveram por necessidade buscar outros locais para viver ocuparam as regiões
desérticas, fora de Lima, sem as menores condições urbanas. Nesses lugares
construíram primeiramente casas de palha, depois apareceram algumas de madeira
e de tijolo, formando os “Pueblos Jovenes”, que aqui conhecemos pelo nome de
“favelas” e em outros países são conhecidos por “vilas miséria” ou “cidades
perdidas”.
Alguns
desses locais cresceram tanto que hoje são denominados “urbanizações” e alguns
já possuem saneamento básico, escolas, postos de saúde, comércio, mas ainda
sofrem com os cortes de água e luz.
Em
sua maioria, tais urbanizações localizam-se no cone norte de Lima e no cone
sul. Essa população procura trabalho no centro de Lima e para lá chegar
submete-se a passar de 1 a
2 horas dentro de micro-ônibus, que se encontram normalmente em condições precárias,
pois são velhos, apertados e andam sempre cheios.
Bairro Pachacamac - Lima - Peru
Um dos templos do sítio arqueológico Pachacamac
ao lado do bairro do mesmo nome
Parte
dessas famílias vive da economia informal, sendo que alguns conseguem emprego
na construção civil, onde ganham mais. O salário mínimo atual é pouco mais de
U$200 mensais, o que faz com que muitos tenham trabalhos eventuais para
aumentar a renda familiar mensal.
Conforme
o que nos afirma Francisco Verdera, realmente houve uma mudança no mercado de
trabalho em Lima, onde subsiste grande número de trabalhadores não
sindicalizados na construção e de vendedores ambulantes[6].
A
família de baixa renda no Peru de hoje, é forçada a migrar, quase sempre para
os grandes centros, principalmente Lima, e assim mesmo, prossegue vivendo na
pobreza e algumas vezes, em piores condições das de quando viviam em suas
regiões de origem.
Os jovens pobres de Lima, muitas vezes, são forçados a buscar outras
formas de ganhar a vida, tornando-se repassadores de drogas, ladrões ou se
prostituindo. Quando muito, conseguem empregos onde são mal pagos, mas têm que
trabalhar muitas horas. Nos fins-de-semana extravasam toda sua angústia, e até, indignação, nas diversas
danceterias espalhadas pela cidade, onde se vê de tudo: brigas, gente
alcoolizada, drogada, prostitutas e muitos, muitos jovens insatisfeitos e é
grande o número deles que possui sérios problemas psicológicos, por isso a
necessidade de “agredir” a sociedade à sua maneira.
Outros,
para conseguirem ter apoio gratuito, costumam integrar-se a Grupos de Jovens
das Igrejas. Nesses locais encontram ajuda, companheiros e se sentem úteis,
pois costumam ser responsáveis por atividades educativas e desportivas junto a
outras crianças carentes.
Em
geral, as famílias de baixa renda em Lima possuem grandes conflitos familiares,
o que não nos é totalmente estranho. Pais que não se entendem com os filhos e
vice-versa, casais separados, diversas pessoas de uma família vivendo na mesma
casa, gerando mais problemas, além de falta de comida para atender a todos.
Enfim, são muitas questões que impedem que tais famílias possam ter uma vida
digna e tranqüila.
Poderíamos
afirmar que a sociedade limenha e, até mesmo a peruana como um todo, está
enferma, pois o racismo subsiste e a herança colonial ainda se faz presente no
dia-a-dia do peruano que segue resistindo contra tudo e contra todos. São
séculos de acúmulo de diferenças sociais e culturais e para solucionar tais
problemas seria necessário um esforço conjunto do Estado, ONGs e Igreja na elaboração
de estratégias e políticas públicas que atendessem a essa camada social, que
cada vez mais se distancia dos ditames dos Direitos Humanos.
[1] Cotler, Julio. Descomposición política y autoritarismo en
el Perú. Lima: IEP, 1993, p.17.
[2] Coral, Isabel. Desplazamiento por violencia política en el
Perú, 1980-1992. Lima: IEP/CEPRODEP, 1994, p.6-7.
[3] Olarte, Efraín Gonzales de. Una economia bajo violencia. Peru, 1980-1990. Lima: IEP, 1991, p.5.
[4] Cotler,
op. cit., 1993, p.21.
[5] Idem,
1993, p.28.
[6] Verdera,
Francisco. El mercado de trabajo de Lima metropolitana:
estructura y evolución, 1970-1990. Lima: IEP/CIE, 1994, p.33.
OBS: Fotos de acervo próprio.
OBS: Fotos de acervo próprio.
domingo, 18 de setembro de 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
OS SACRIFÍCIOS HUMANOS ENTRE OS INCAS
As crônicas espanholas e indígenas dos século XVI são ricas em detalhes sobre os sacrifícios humanos praticados entre os Incas, sendo que numericamente esses sacrifícios eram insignificantes se comparados à realidade Asteca. O povo Asteca chegou a tirar a vida de centenas de pessoas diariamente, cortando-lhes o peito ou simplesmente atirando-as pelas escadarias das grandes pirâmides.
As Capacochas, nome quechua dado ao sacrifício humano entre os Incas, constituíam-se em cerimônias extraordinárias dedicadas ao Inca, celebradas só em oportunidades solenes, como o nascimento de um chefe, vitórias em guerras ou ainda em caso de epidemias ou problemas climáticos que pudessem comprometer a agricultura[1].
No Templo do Sol eram realizados todos os rituais necessários para revitalizar os mitos e a espiritualidade do povo, já que o homem andino dos séculos XV e XVI desenvolveu sua existência dentro de um plano essencialmente mágico, pois todos os fenômenos da natureza ou acontecimentos rotineiros eram inseridos em um contexto sobrenatural.
Várias vistas do Templo do Sol de Pachacamac
Centro cerimonial costeiro próximo a Lima.
Os sacrifícios eram a principal parte dos cultos e na época das grandes festas, eram feitas oferendas não somente ao Deus Sol, mas também a outras divindades, afim de manter a benevolência para com seus seguidores.
A maioria dos sacrifícios eram de llamas, cuys, roupas, ouro, prata, frutas e chicha, mas ao longo da história peruana houveram muitos sacrifícios humanos, pois se encontraram evidências disso em escavações arqueológicas e nos relatos dos cronistas. Há quem diga que essa prática foi mais freqüente ao norte do país e que na época dos Incas, os sacrifícios humanos diminuíram.
Os sacrifícios humanos tinham uma grande importância e para isso, escolhia-se um grupo especial de pessoas e entre os mais importantes estavam os guerreiros, os gêmeos, os que nasciam de pés, os que nasciam com o cabelo crespo, os albinos, os leporinos e as pessoas que nasciam no período das grandes festas, pois se diziam ser filhos dos deuses, já que muitas mulheres ficavam grávidas depois de tais festas e sem saber de quem. Não obrigatoriamente essas pessoas eram utilizadas para isso, mas se convertiam em sacerdotes ou eram escolhidas para outras funções especiais[2].
Sacrifício de crianças ao deus Pachacamac
Desenho do cronista Guaman Poma de Ayala
Sacrifício de lhama
Desenho do cronista Guaman Poma de Ayala
Os sacrifícios humanos tinham uma grande importância e para isso, escolhia-se um grupo especial de pessoas e entre os mais importantes estavam os guerreiros, os gêmeos, os que nasciam de pés, os que nasciam com o cabelo crespo, os albinos, os leporinos e as pessoas que nasciam no período das grandes festas, pois se diziam ser filhos dos deuses, já que muitas mulheres ficavam grávidas depois de tais festas e sem saber de quem. Não obrigatoriamente essas pessoas eram utilizadas para isso, mas se convertiam em sacerdotes ou eram escolhidas para outras funções especiais[2].
Alguns investigadores dizem que para esse sacrifício eram selecionadas crianças de 8 a 10 anos, que eram levadas por suas mães até Cuzco e pelo curaca do ayllu. Quando chegavam, se reuniam na maior praça todas as pessoas que vinham para a grande festa, trazendo consigo diversas oferendas. As coisas materiais, em geral, eram incineradas e o ouro e a prata colocado perto dos deuses, mas os animais eram sacrificados cortando-os de um dos lados e retirando-lhes o coração ainda pulsando para assim poder profetizar.
As crianças que chegavam acompanhadas pelas suas mães comiam, bebiam até ficarem embriagados e logo enchiam-lhes a boca de coca e cortavam-lhes o peito, para retirar-lhes o coração palpitante que ofereciam aos deuses e com o sangue untavam as imagens de seus ídolos. Depois de todo o cerimonial, o Inca entregava o resto das oferendas aos sacerdotes regionais, que as levavam e prosseguiam os rituais em seus próprios povoados. Dessa forma, o Inca conseguia boas relações com os chefes das demais etnias pertencentes ao Império Inca.
Maria Rostworowski nos conta que os sacrifícios eram feitos com crianças de 4 a 12 anos, quando o Inca recebia a mascapaicha, ou coroa real. Eram escolhidas umas 200 crianças e de dois em dois, homem e mulher, eram enterrados vivos como oferenda ao Deus Sol, à Lua, à Terra etc. Também sacrificavam virgens, enterrando-as vivas[3].
O historiador Lorenzo Huertas afirma que as Virgens do Sol também foram submetidas a um tipo de sacrifício raro. Quando os deuses estavam muito zangados com o povo, eram desvirginadas mais de 20 mulheres por um só homem e com o sangue resultante desse ato, se untavam os deuses com a intenção de acalmá-los[4].
Acllahuasi (casa das escolhidas)
Lugar onde residiam as "Virgens do Sol"
Pachacamac - Lima
Maria Rostworowski afirma que houve outro tipo de sacrifício de mulheres, pois foram encontradas diversas tumbas com mulheres estranguladas como uma forma de sacrifício[5].
Foram muitos os cronistas que relataram os sacrifícios humanos, mas houve quem os negasse, como é o caso do Jesuíta Anônimo[6], que refuta as palavras de Polo de Ondegardo. Ele afirma que nunca houve sacrifícios humanos entre os Incas, nem de prisioneiros de guerra, ao contrário do que descreveu Polo[7].
Já o Padre Acosta descreve, entre outros, o episódio da morte de Huayna Capac em que se sacrificaram voluntariamente mais de 1.000 homens e mulheres. Houve também sacrifícios de crianças e com seu sangue fez-se uma marca de orelha a orelha no rosto do defunto. Ele nos conta também, que eram comuns os sacrifícios de virgens quando o chefe Inca passava por alguma enfermidade ou em período de guerras[8].
Hernando de Santillán ao tratar do modo como os Incas rendiam culto ao Sol e outros deuses, coloca que
La principal ofrenda y sacrificio que hacían a las cosas que adoraban, era quemar ropa y ovejas; con el corazón de las ovejas rociaban la casa del Sol o de la guaca; y otras veces en ofrenda les enterraban ovejas vivas, y algunas veces en Cuzco y en Pachacama ofrecían doncellas y las enterraban vivas...[9]
La principal ofrenda y sacrificio que hacían a las cosas que adoraban, era quemar ropa y ovejas; con el corazón de las ovejas rociaban la casa del Sol o de la guaca; y otras veces en ofrenda les enterraban ovejas vivas, y algunas veces en Cuzco y en Pachacama ofrecían doncellas y las enterraban vivas...[9]
Martin de Murúa também descreve sacrifícios humanos em que as pessoas eram levadas para o Templo do Sol, onde entravam de cabeça baixa e sem ousar olhar para lugar algum e estando aí dentro os sacerdotes davam-lhes de beber e quando estes estavam embriagados, os matavam e enterravam dentro do templo junto com o ouro e prata que levavam[10].
Juan de Betanzos conta que
...fueron sacrificados muchos niños y niñas, a los cuales enterraban vivos muy bien vestidos e aderezados, los cuales enterraban de dos en dos, macho y hembra; e con cada dos destos enterraban mucho servicio de oro y plata (...)estos niños (...) eran hijos de cacique y principales... [11]
Sobre a Capacocha, temos os relatos do cronista Cristóbal de Molina, el cuzqueño, que afirma ter sido essa prática de sacrifício de crianças introduzida pelo Inca Pachacuti. As crianças eram levadas para Cuzco junto com roupa e gado, ouro, prata e conchas e entravam na praça da cidade, davam duas voltas ao redor dos grandes ídolos e cada grupo recebia uma parte das oferendas ali reunidas para levá-las ao principal santuário de sua província e uma vez nele, enchiam a boca das crianças de coca e as enterravam junto com as outras oferendas. Os que eram sacrificados em Cuzco eram enterrados nas proximidades e se convertiam em huacas[12], que são locais sagrados de adoração. Suas pequenas múmias passavam a ser consultadas por haverem se transformado em oráculos.
Apesar de todos estes dados, os sacrifícios humanos ainda são um tema controvertido, visto que podem ser considerados uma prática comum, já que quando havia algum acontecimento especial ou então grandes festas cerimoniais eram praticados normalmente, mas também ao ser comparados com os sacrifícios humanos praticados em larga escala pelos Astecas, deixam de ser uma prática comum. Outro problema, é que muitas das informações que temos sobre os sacrifícios humanos, nos foram fornecidas pelos cronistas, que nem sempre são confiáveis, já que estes viam a história andina pelos padrões e conceitos europeus[13].
Esses sacrifícios humanos funcionavam como uma forma de controle político, pois levavam todas as etnias à capital do império, com a meta de dar poder ao Estado e ao chefe Inca. Havia a intenção de se estabelecer relações entre o Inca e os curacas regionais, buscando uma coesão ideológica entre todos os setores político-sociais. As capacochas simbolizaram a harmonia política entre esses povos e através delas se percebe a importância da religião para sustentar o Estado, sendo a melhor ferramenta de dominação.
[1] Waldemar Espinoza Soriano. Los Incas; economia, sociedad y estado en la era del Tahuantinsuyo. 2.ed. Lima: Amaru, 1990, p.467.
[2] Luis E. Valcárcel. Historia del Peru antiguo. Lima: Editorial Universitaria, s/d, t. III, p.231-258.
[3] María Rostworowski de Diez Canseco. Historia del Tahuantinsuyu.2.ed Lima: IEP, 1988.
[4] Lorenzo Huertas Vallejos. La religión en una sociedad rural andina.Ayacucho: Universidad Nacional de San Cristóbal de Huamanga, 1981.
[5] María Rostworowski de Diez Canseco. Op. cit., 1988.
[6] Jesuíta Anónimo. Relación de las costumbres antiguas de los naturales del Pirú. In: Francisco Esteve Barba. Crónicas peruanas de interés indigena. Madrid: Atlas, 1968, p.156-157.
[7] Juan Polo de Ondegardo, De los errores y supersticiones de los indios in Confesionario, Lima, Antonio Ricardo, 1585[1554].
[8] Jose de Acosta. Historia natural y moral de las Indias. In: Obras del Padre Jose de Acosta. Madrid: Biblioteca
de Autores Españoles, 1954 [1590].
[9] Hernando de Santillán. Relación del origen y gobierno de los Incas. In: Francisco Esteve Barba. Op. cit., 1968, p.111.
[10] Martin de Múrua. Historia del origen y genealogía de los reyes incas del Perú, de sus hechos, costumbres, trajes y maneras de gobierno, Lima, Urteaga y Romero, 1922[1590].
[11] Juan de Betanzos. Suma y narración de los Incas. In: Francisco Esteve Barba. Op. cit, 1968, p53.
[12] Cristóbal de Molina (Cuzqueño). Fábulas y ritos de los Incas, Lima, Horacio Urteaga y Carlos A. Romero, 1916[1574].
[13] Cuando llegaron los españoles, vieron e interpretaron el mundo andino bajo las premisas de la cultura occidental de su tiempo, aplicando los conceptos y modelos europeos a la nueva realidad con la que entraron en contacto. Además, cada autor imprimió a su relato su sensibilidad y apreciación personales. Pero en el fondo la realidad era diferente, las instituciones del mundo andino tenían su proprio carácter, su naturaleza sui generis que no pudo ser captada por los observadores europeos en su verdadero significado social. Fernando Silva-Santisteban. El significado de la conquista y el proceso de aculturación hispano-andino, in Francisco Solano, Proceso histórico al conquistador, Madrid, Alianza, 1988, p.147.
OBS: Fotos de acervo pessoal.
Desenhos de Guaman Poma de Ayala podem ser encontrados no site da Biblioteca de Copenhague: http://www.kb.dk/permalink/2006/poma/info/es/frontpage.htm
terça-feira, 30 de agosto de 2011
O AMARGO DOS DEUSES QUE VIROU DOCE DOS FRADES
Algo que hoje é consumido mundo afora, o chocolate, também é oriundo da América. O Theobroma cacao, árvore originária da América do Sul, produz o cacau e com suas sementes é feito o chocolate. Os primeiros a transformarem o cacau em bebida foram os Mokaya, ancestrais dos Olmecas, que há cerca de 4.000 anos já assavam e moíam suas sementes, adicionando-lhes água. A própria palavra chocolate é de origem nahuatl, "xocolatl", que significa "água amarga". Os Maias e Astecas também consumiam essa bebida sagrada, que servia entre outras coisas para acabar com o cansaço, dar vigor sexual, criar resistência contra as intempéries, entre outras funções medicinais. Seu gosto era amargo e só a elite podia consumi-la, pois à parte de suas propriedades revigorantes, a semente do cacau também servia como moeda de troca no mundo meso-americano.
Códice De La Cruz/Badiano
Plantas usadas no tratamento de fadiga, entre elas o cacau.
(Libellus de medicinalibus, 1991, fl.38r).
Quando Colombo chegou à América conheceu as sementes de cacau, mas não deu importância. No entanto, as fontes apontam três hipóteses para sua introdução na Europa. A primeira, indica que foi o próprio Colombo que levou as primeiras sementes no regresso de sua quarta viagem. A outra hipótese aponta que Hernan Cortés depois de provar a bebida dos deuses oferecida pelo chefe Asteca, Montezuma, a levou para a Espanha. Por último, as fontes dizem que o frade Jerónimo de Aguilar, que acompanhava Cortés, enviou as primeiras sementes para um abade pertencente à sua ordem, o próprio cacau e a receita do chocolate. E assim, o chocolate foi produzido pela primeira vez na cozinha do mosteiro cisterciense, "Monasterio de Piedra", localizado nas proximidades de Zaragoza no começo do século XVI. Os espanhóis ficam encantados com a bebida exótica e a adaptam ao seu paladar juntando-lhe açúcar ou mel, baunilha, pimenta e outros produtos, criando sabores semelhantes aos que encontramos nos chocolates atuais. Na época, frades e freiras eram os responsáveis pela produção do chocolate, cujo consumo foi amplamente difundido, pois segundo os religiosos por ser uma bebida não quebrava o jejum. O segredo a respeito dessa iguaria foi mantido pelos espanhóis por pelo menos um século e só depois disso, o resto da Europa conheceu o chocolate. Uns dizem que foi o italiano Antonio Carletti que descobriu essa receita e a divulgou em outras regiões europeias. Também há a versão de casamentos reais responsáveis pelo início de consumo dessa bebida na França, como o de Ana da Áustria, filha de Filipe III da Espanha, que se casou com Luís XIII da França e considerou o chocolate a bebida oficial na corte francesa. Ou ainda, a união de Maria Teresa da Espanha, com Luís XIV, que corroborou esse costume. Desse modo, o consumo de chocolate se espalhou por toda a Europa e até 1828 era consumido como bebida. É quando o holandês van Houten cria uma máquina que torna possível a produção de chocolate sólido, permitindo o aparecimento das primeiras tabletes e bombons. Surge então o chocolate ao leite, com amêndoas e tantos outros ingredientes que fazem dessa antiga bebida exótica americana uma delícia mundial.
Fonte:
LA CRUZ, Martín de. Libellus de medicinalibus indorum herbis; manuscrito azteca de 1552 según traducción latina de Juan Badiano. México: Fondo de Cultura Económica/Instituto Mexicano del Seguro Social, 1991.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
A CAÇA ÀS BRUXAS ANDINAS NO SÉCULO XVII
Cronistas espanhóis associaram a religião indígena a um culto ao diabo, chamando-os de idólatras. Conseqüentemente, durante o século XVI começam no Peru as campanhas de extirpação de idolatrias, que tinham por objetivo terminar com toda a espécie de ídolos e rituais, considerados por eles, heréticos. As mulheres foram particularmente perseguidas e acusadas de praticarem feitiçaria, pois desempenhavam um papel importante de resistência frente à colonização espanhola, já que eram dogmatizadoras da religião indígena e revitalizadoras de antigas crenças.
Crônica que guiou os extirpadores de idolatrias
A idolatria contradizia o cristianismo, visto que repousava sobre uma adoração de criaturas, enquanto o cristianismo pregava a adoração do Criador, ou seja, Deus[1]. Para tanto, seguiu-se em terras andinas, os passos da inquisição européia, utilizando a repressão para suprimir, extirpar todo e qualquer vestígio de religião que não fosse a cristã.
Obras, como o Directorium inquisitorum[2] ou Manual dos inquisidores e o Malleus maleficarum[3], serviram para fundamentar os Concílios de Lima[4], que eram os regulamentos de combate às heresias indígenas. O Directorium descrevia as categorias de heréticos a serem reconciliados ou “relaxados ao braço secular”, quando necessário fosse. Os autores de Malleus, atribuíram às mulheres as artes maléficas, visto serem estas marcadas pelo pecado original de Eva e mais fracas diante das tentações do demônio. Essa obra tratou em detalhes a maneira demoníaca como as bruxas agiam e como era possível identificá-las, servindo de guia para os inquisidores e aconselhando-os para que não aceitassem o arrependimento como motivo para não condená-las à fogueira, visto serem elas perniciosas à cristandade.
Nos três Concílios de Lima, datados respectivamente de 1551, 1567 e 1568, foram tratados os principais objetivos da extirpação de idolatrias e a forma como deveriam ser castigados aqueles que fossem acusados de idólatras. Chamou-se a atenção, para que fossem perseguidos com mais intensidade os feiticeiros e dogmatizadores, devendo estes serem submetidos aos mais severos castigos, inclusive a pena de morte.
Feiticeiro na crônica de Guaman Poma de Ayala
No início da campanha de extirpação, houve disputas entre o clero regular, que tinha uma postura indigenista favorável a uma evangelização por persuasão e não pela violência[5], e o clero secular, favorável às extirpações. Nesse período, criou-se o cargo de juiz visitador, com o intuito não só de extirpar a religião andina, mas também de liquidar os doutrineiros regulares, submetendo-os ao seu poder e acusando-os de explorarem a população indígena e de não conhecerem as línguas vernáculas, o que dificultava a predicação.
De 1610 a 1660, a extirpação de idolatrias teve seu período de maior atividade, e apesar dos confrontos entre o clero regular e o clero secular, a partir de 1610, a Companhia de Jesus conseguiu empreender sua campanha de cristianização. Seguindo uma política missioneira relativa à zona andina, conforme foi tratada por José de Acosta[6], e usando critérios indigenistas e coletivistas, os jesuítas conseguiram alcançar a elite indígena através do Colegio del Príncipe, em Lima, onde os filhos de curacas (chefes locais) eram educados. Para além disso, criaram a prisão para feiticeiros, a Casa de Santa Cruz, com a finalidade de suprimir a elite de sacerdotes da religião indígena. A Companhia praticamente dominou religiosa e culturalmente o território peruano nesse período.
A Inquisição inicial queria tão somente acabar com as heresias de indivíduos já integrados à cultura hispânica, enquanto a extirpação, segundo Pierre Duviols, era a filha bastarda da inquisição, instalada em Lima em 1571 e da evangelização, pois tinha por projeto a destruição das religiões andinas[7].
Arcebispo Lobo Guerrero - responsável pelo início das campanhas de extirpação de idolatrias
Houve nesse período uma tentativa de aculturação[8] da população indígena, por parte dos visitadores, e por isso, as “bruxas” mais perseguidas eram as dogmatizadoras, visto serem as que promoviam uma contra-evangelização[9].
A tentativa de ocidentalização da América se deu através da evangelização e da extirpação de idolatrias, através da reprodução de lógicas mentais da velha Europa no Novo Mundo[10] e uma prova disso, é o transporte para os Andes do diabo e de sua aliada, a bruxa. Porém, o mundo andino não conhecia a noção do mal encarnado em uma figura satânica, e sim uma visão dialética em que o bem e o mal são complementos. Houve sim, uma aculturação desse termo, podendo se exemplificar com o caso dos hapiñunos, que seriam fantasmas ou duendes, que foram posteriormente transformados em forças diabólicas derrotadas por Santo Tomás, conforme os relatos de Pachacuti Yamqui [11]. Desta forma, os inquisidores conseguiam que os acusados acabassem por confessar a ligação com o diabo, pois essa noção européia acabou por mesclar-se com as estruturas simbólicas indígenas. Quanto à fragilidade moral feminina, que segundo a concepção européia, explicava a existência de um grande número de bruxas, também não está de acordo com a visão indígena, que ao contrário, conferia à mulher importante papel na manutenção e reprodução da existência social.
Ídolos dos Incas
Na sociedade andina havia conhecedores de ervas, soldadores de ossos e os curandeiros, mas como na Europa, dizia-se que esse tipo de conhecimento só era concedido aos seguidores do diabo, a idolatria, o curandeirismo e a bruxaria acabaram sendo confundidos, sendo esta última, uma invenção hispânica[12].
Por meio de tortura, os visitadores conseguiam as evidências que necessitavam para condenar o acusado, assim um grande número de curandeiros confessaram ter recebido seu conhecimentos de ervas através de pactos demoníacos.
Os deuses andinos estavam perdendo a força diante das adversidades coloniais, estavam se calando e conforme Todorov, é necessário ter o domíno dos signos para que se possa manter o poder[13]. O papel das bruxas-dogmatizadoras[14] nas comunidades, era de suma importância para a manutenção da sabedoria e rituais indígenas, pois simbolizava a resistência ao sistema colonial, fazendo com que a desestruturação do mundo andino sob a dominação espanhola, nas palavras de Wachtel, ao contrário de ter significado uma decomposição ou o nascimento de um mundo novo, fosse a sobrevivência de estruturas antigas, apenas fora do contexto coerente em que se situavam[15].
A perseguição às bruxas, por parte dos visitadores foi tal, que podemos comprovar através da Relación de la visita de extirpación de idolatrías de Cristóbal de Albornoz[16], o número consideravelmente maior de mulheres que foram acusadas de feitiçaria, tendo sido a maioria condenada a serviços perpétuos para Igreja, podendo levar-nos também à suposição de que essa seria uma forma de escravizar mão-de-obra indígena, fato este que não desenvolveremos neste trabalho, por falta de comprovação documental suficiente.
Na obra de José de Arriaga, aparece um exemplo de deturpação de rituais indígenas extremamente significativo, que é quando este descreve a ação de feiticeiros que constituíam sociedades secretas e que atuavam quando os outros dormiam, entrando nas casas e sugando um pouco do sangue da pessoa a quem queriam matar e depois levavam esse sangue ao grupo, que o cozinhava e comia. Alguns dias depois, a pessoa de quem retiraram o sangue, morria. Adoravam o demônio, que aparecia em forma de leão ou tigre, mantinham relações homo e heterosexuais durante as festas e depois todos beijavam-lhe o traseiro[17]. Essa, nada mais é, que uma descrição da comunhão diabólica do sabá[18], ou seja, através de comportamentos ritualísticos andinos, Arriaga sugere o sabá, o que leva a crer que os bruxos andinos tenham sido bastante atormentados pelos extirpadores para que estes conseguissem esses relatos.
Sacrifício de Llama
A explanação acima, reitera a afirmação de Irene Silverblatt, sobre ser a bruxaria andina uma invenção espanhola. O processo de aculturação incutido pelos religiosos permitiu que as estruturas indígenas fossem adaptadas às suas necessidades, mostrando mais uma vez ter sido fundamental o papel das “bruxas” andinas na manutenção das crenças indígenas.
Na maioria dos casos, a extirpação de idolatrias usou métodos de tortura, como açoites, a tosa de cabelo ou ter de andar nu encima de uma llama. O acusado poderia ter seus bens confiscados, ser condenado a trabalho provisório ou definitivo para a Igreja, como já mencionamos, ou até mesmo, à pena de morte. Na Espanha, ser condenado a andar nu era considerado humilhante, mas entre os índios não teve a mesma conotação, visto serem esses solidários contra a Igreja conquistadora. Já a tosquia de cabelo, significava uma perda imensurável, pois estes tinham valor de distinção entre os diversos ayllus (sistemas de parentesco) e os extirpadores tinham consciência disso. O confisco de bens entre uma população que vivia comunitariamente, era um fato trágico, pois significava o empobrecimento de toda a comunidade.
Durante os autos-de-fé, eram queimados ídolos e, por vezes, os “mallqui” (múmias de antepassados). Os índios não aceitavam que os corpos fossem enterrados, devido a suas convicções religiosas de haver vida após a morte, por isso, sempre que podiam, resgatavam os corpos de familiares enterrados no cemitério da Igreja. Os extirpadores, revoltados, mandavam queimar os cadáveres, porque na concepção cristã, estavam condenando-os ao inferno. Ao fazerem isso, estavam na verdade acabando com as raízes deste culto, ou seja, matando aquela cultura através de seus mortos[19].
Superstições
Como na Europa, a luta contra a heresia nos Andes teve fins políticos, pois a população que queria escapar aos rigores da Extirpação, como os que acabamos de expor, era forçada a entrar nas reduções, onde era evangelizada e controlada politicamente, facilitando a cobrança de tributo. No caso das mulheres, especificamente, a perseguição foi maior, não só por serem as “bruxas” as companheiras do diabo, conforme a mentalidade européia da época, mas por que estas eram temidas pelos espanhóis e seus aliados indígenas, por representarem a resistência ao mundo colonial, visto que tinham grande poder dentro de suas comunidades, participando de reuniões importantes do povoado e sendo inclusive temidas pelos curacas (chefes locais). Eram as detentoras da sabedoria e rituais indígenas e utilizavam esses conhecimentos para destruir o desequilíbrio provocado em seu mundo pelo domínio espanhol.
[1] DUVIOLS, Pierre. Cultura andina y represion; procesos y hechícerias. Cajatambo, siglo XVII. Cusco: centro de estudios rurales andinos “bartolomé de las casas” , 1986.p.XXVII.
[2] EYMERICH, Nicolau, PEÑA, Francisco. Le manuel des inquisiteurs. Trad. Louis Sala-Molins, Paris-La Haye: Mouton, 1973.
[3] SPRENGER, Jacob, KRAMER, Heinrich. Malleus Maleficarum. Madrid: Colección Abraxas de Ediciones Felmar, s/d.
[4]DUVIOLS, op. cit.
[5] LAS CASAS, Bartolomé de. Del único modo de atraer todos los pueblos a la verdadera religión. (1537). México: FCE, 1975.
[6] ACOSTA, José de . De procuranda indorun salute o predicación del evangelio en las Indias. (1577) In: Obras del padre José de Acosta, pp. 387-608. madrid: Atlas (BAE, t.73), 1954.
[7] DUVIOLS, op. cit., p.LXXIII.
[8] WACHTEL, Nathan. A aculturação. In: LE GOFF, Jacques, NORA, Pierre. (Dir.) História: novos problemas. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976. p.113-129.
[9] DUVIOLS, P. op. cit., p. LXXVI.
[10] GRUZINSKI, sege. Las repercusiones de la conquista: la experiencia novohispana. In: BERNAND, Carmen (Org.). Descubrimiento, conquista y colonización de América a quinientos años. México, FCE, 1994.
[11] PACHACUTI YAMQUI SALCAMAYGUA, Joan de Santa Cruz. Relacion de antiguedades deste reyno del Piru; Estudio etnohistórico y lingüístico de Pierre Duviols y César Itier. Cusco:IFEA/CBC, 1993. p.188.
[12] SILVERBLATT, Irene. Luna, sol y brujas; género y clases en los Andes prehispánicos y coloniales. Cusco: centro de estudios regionales andinos “bartolomé de las casas”, 1990. p.129.
[13] TODOROV, T. A conquista da América; a questão do outro. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
[14] NOBOA, Bernardo de. “Causa de ydolatrias hecha a pedimiento del fiscal eclesiastico contra los yndios e yndias hechiseros dogmatizadores confesores sacristanes ministros de ydolos del pueblo de San Juan de Machaca”. In: DUVIOLS, Pierre. Cultura andina y represion; procesos y visitas de idolatrías y hechicerías. Cajatambo, siglo XVII. Cusco: Centro de Estudios Rurales Andinos “Bartolomé de las Casas”, 1986.
[15] WACHTEL, Nathan. Los vencidos; los indios del Perú frente a la conquista española (1530-1570). Madrid: Alianza Editorial, 1976. p.135.
[16] In: MILLONES, Luís et al. El retorno de las huacas; estudios y documentos del siglo XVI. Lima: IEP/SPP, 1990. p.259, 278 etc.
[17] ARRIAGA, P. José de. Extirpación de la idolatría del Pirú. In: BARBA, Francisco Esteve. Cronicas peruanas de interes indigena. Madrid: Atlas (BAE, t.109), 1968. p. 208.
[18] “Bruxas e feiticeiros reuniam-se à noite, geralmente em lugares solitários, no campo ou na montanha. Às vezes, chegavam voando, depois de ter untado o corpo com ungüentos, montando bastões ou cabos de vassoura; em outras ocasiões, apareciam em garupas de animais ou então transformados eles próprios em bichos. Os que vinham pela primeira vez deviam renunciar à fé cristã, profanar os sacramentos e render homenagem ao diabo, presente sob a forma humana ou (mais freqüentemente) como animal ou semi-animal. Seguiam-se banquetes, danças, orgias sexuais. Antes de voltar para casa, bruxas e feiticeiros recebiam ungüentos maléficos, produzidos com gurdura de criança e outros ingredientes” In: GINZBURG, Carlo. História noturna; decifrando o sabá. São Paulo: Companhia da Letras, 1991. p. 9.
[19] DUVIOLS, op. cit., p. LXXV.
OBS: Artigo publicado nos Anais do Encontro Regional da ANPUH-RJ de 1998. http://www.rj.anpuh.org/conteudo/view?ID_CONTEUDO=307
Os desenhos do cronista Guaman Poma de Ayala encontram-se na Biblioteca Real da Dinamarca.
Fotos de acervo próprio.
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